Arquivo de Junho de 2008

Que diferença você faz?

Outro dia em uma aula, um grande amigo e professor comentou sobre três tipos básicos de ser humano, a saber, aqueles que não sabem o que acontece, os que observam os acontecimentos, e os que fazem acontecer. Inspirado pela preleção dele resolvi escrever este texto.

É fácil ver que a maioria de nós quer estar no grupo das pessoas que fazem acontecer, observamos diariamente relatos e histórias sobre grandes líderes que levaram à nossa evolução, fossem eles estadistas, cientistas, ícones das artes, enfim, temos uma infinita lista de nomes inspiradores que fizeram o mundo ser como conhecemos. Nas artes visuais, como pintura, fotografia e cinema temos uma lista prodigiosa que inclui Dali, Michelangelo, Mondrian, Pollock, DaVinci, Cartier-Bresson, Doisneau, Halsman, Kubrick, Copolla e tantos outros.

Queremos ser como eles para colocar nosso nome na história baseado naquilo que fazemos, queremos influenciar gerações vindouras, ultrapassar a morte e alcançar a eternidade. No final das contas o que nos move nessa busca é isso mesmo, a tentativa de eternizar aquilo que acreditamos. Não é apenas isso, queremos aproveitar em vida os louros dessa conquista, reconhecimento perante nosso grupo e perante nós mesmos também.

Mas por inúmeros fatores, algo parece nos impedir de atingir essa meta e acabamos por ficar atolados no grupo das pessoas que ou não sabem o que acontece ou apenas observam os fatos, por vezes reclamando do mundo e das pessoas, por vezes ficando surpresos com as circunstâncias que nos pegam de surpresa. O emprego perdido, a oportunidade desperdiçada, o concorrente obtendo o sucesso que julgamos como nosso por direito e assim vai indo.
O que afinal acontece? Por que atolamos nesse pântano desagradável no qual muitos estão, mas aparentemente ninguém deseja ou até ninguém merece estar?

Tenho a opinião de que um dos fatores mais importantes é a chamada zona de conforto. É algo difícil de explicar, mas que pode ser exemplificado se tentarmos nos ver como uma entidade dupla, de um lado existe o nosso corpo, de outro a nossa consciência, no primeiro reside a preguiça, a lei do menor esforço, a tentativa de ganhar sem empreender, e também a fome, o sono, o cansaço etc. Na outra instância residem nossas vontades, crenças, valores e ideais.

Por algo que deixo aos cientistas e médicos buscarem uma explicação, nesse embate entre corpo e consciência, o primeiro parece vencer com mais facilidade, e nos deixamos levar por seus desígnios em detrimento de nossos valores.

Até certo ponto é fácil de compreender, se temos que comer para viver, a escolha entre passar fome mantendo nossos ideais intactos ou violentar nossos valores para alimentar o estômago parece algo a sequer ser pensado, aceitamos a situação como está se conseguimos comer, e colocamos nosso sonho de imortalidade em algum lugar do futuro, algo que a consciência tem certeza de que não será atingido, mas os desígnios do corpo saciado nos mantêm sob a ilusão de que um dia chegaremos lá, mesmo que na verdade estejamos atolados e imóveis.

A zona de conforto tem ainda outros fatores, um deles parece uma balança onde de um lado está o esforço necessário para a mudança e de outro o peso dos inconvenientes da situação atual. Muitas vezes consideramos o esforço da mudança como um peso tão maior que o inconveniente atual, que deixamos tudo como está.

Lutar contra a zona de conforto é difícil, pois inclui compreendermos o fato de que mesmo quando o esforço para mudança é de fato maior que o inconveniente atual, devemos dar voz à consciência que lá no fundo, nos fala com voz baixa lembrando dos nossos sonhos, dos nossos ideais, dos ídolos que não se conformaram com a situação e lutaram, foram criativos e se desviaram das situações complexas, que estudaram e buscaram ajuda quando notaram que sozinhos não chegariam lá.

Citei os perfis de pessoas no começo deste artigo, todos queremos fazer a diferença mas poucos de nós de fato estão fazendo, e você? Se conformará com os inconvenientes da vida? Continuará conformado em não ter o carro que gostaria mas apenas o que pode? Continuará achando desculpas ou culpas para tudo aquilo que não tem conseguido?

Ou olhará para o lado da balança onde você imagina estar um esforço enorme para a mudança e levantará o peso? A história de muitas pessoas importantes nos faz perceber que o aparente peso da mudança é na verdade uma impressão, uma das enganações causadas pelo conforto da estagnação, pela preguiça do corpo, a inércia.

Quais foram os pesos que Michelangelo teve que erguer para pintar a Capela Sistina? Por um lado o esforço físico de ficar meses sobre um andaime com tinta caindo sobre sua face, por outro a pressão da igreja que queria a obra acabada e ainda dentro de um estilo não desejado pelo artista. Ele poderia ter optado pelo caminho mais curto e atender aos pedidos de seu contratante, a igreja, mas isso determinava um peso muito maior, o de violentar seus princípios. Na escolha do lado da balança ele se manteve decidido em seus ideais e sonhos, suportou a carga do trabalho e das pressões e produziu uma das maiores obras que a humanidade conhece.

O que deu a ele força para trilhar o caminho mais longo? Nossos dois principais apoios, os sonhos e os princípios.

Assim termino este texto com os dois passos realmente fundamentais para fazermos a diferença:

1 - abandone a zona de conforto, ela é sua maior inimiga e nunca pense o contrário disso, se for necessário peça ajuda pois esta será uma tarefa difícil.

2 - acredite nos seus sonhos e valores, eles o manterão andando quando aparentemente você não tiver mais nada.

O blog do Vernaglia entra de férias até 15 de agosto pois estarei em lua de mel. =^)
Nos vemos em 45 dias,

Grande abraço a todos vocês que me ajudam a fazer alguma diferença.

Armando Vernaglia Junior
www.vernaglia.com.br
blog.vernaglia.com.br

paulis049pq - Final de tarde na Av. Paulista, São Paulo

O tempo, a falta dele e a escolha de prioridades

Tenho passado por um período conturbado no qual muitas atividades disputam pela minha atenção, além do trabalho cotidiano na fotografia, tenho o planejamento de uma nova empresa que se dedicará a um outro ramo de atividade dentro do mercado de imagem, as aulas e cursos que dou na Riguardare, o planejamento de novos cursos e eventos relacionados à fotografia, minhas pesquisas e estudos constantes na área de imagem empresarial, os novos textos daqui do blog, isso tudo sem falar na vida pessoal com a proximidade de meu casamento e toda a dedicação que esse evento demanda.

Com tantas coisas acontecendo simultaneamente tive que exercitar ao máximo minha habilidade na administração do tempo e na eleição de prioridades. Estes são dois pilares fundamentais na nossa vida, e só nos damos conta disso naqueles momentos em que nos sentimos sufocados pelo excesso de coisas para fazer e a impressão de que as horas do dia não são nem um pouco suficientes para tudo.

Os problemas do excesso de atividades vão desde o estresse até a possibilidade de grandes prejuízos financeiros. Isso acontece pois na medida em que as atividades se somam, o tempo fica escasso, tentamos resolver tudo junto e isso em geral só faz com que demoremos mais para terminar cada tarefa. Cansados trabalhamos menos e pior, mesmo estando atolados em trabalho, é um paradoxo estranho onde quanto mais fazemos, menos temos rendimento e sucesso nas atividades realizadas.

Esses fatos são freqüentes na vida de prestadores de serviço e profissionais de imagem pois em geral administramos o negócio, realizamos o trabalho, buscamos resultados, tiramos nosso sustento disso e ainda esperamos ter vida fora do trabalho. Muitos trabalham em casa o que torna ainda mais complexa a tarefa de separar a vida profissional da pessoal.

Se você tem passado por isso, leia com atenção as próximas linhas e você encontrará dicas preciosas para que o tempo deixe de ser seu inimigo. Da soma de leituras, conversas com amigos, professores e da minha própria experiência tirei essas dicas, tenho conseguido seguí-las e obtido excelentes resultados.

A primeira coisa é listar as atividades que temos para fazer. Ao final de cada semana liste as atividades da semana seguinte. Além desse planejamento semanal, faça no final de cada dia a listagem do dia seguinte. Imprima essas listas e coloque bem do lado do seu local de trabalho ou faça-as na sua agenda. Por fim a parte difícil: obrigue-se a cumprir a lista na ordem em que as atividades estão.

Para conseguir isso você deverá eleger prioridades, então coloque no topo da lista tudo aquilo que realmente importa, as atividades que tem prazos mais curtos, as tarefas fundamentais que garantam sua qualidade de vida etc. Seja criterioso, é um processo difícil no começo mas que se torna fácil com o treino.

Tendo uma lista feita com base em prioridades, você terá a ordem para execução das tarefas, isso já poupa um bom tempo que perdemos pensando no que fazer primeiro, e também nos deixa mais tranqüilos para dormir sabendo o que temos pela frente a cada dia, reduzimos as surpresas e com isso o estresse. Além disso evitamos o esquecimento de coisas importantes.

Deixe as atividades mais importantes para os horários mais produtivos. Todo mundo tem horários de maior e de menor rendimento, uns trabalham bem à noite, outros logo pela manhã, e assim por diante, então deixe o fundamental para ser feito no horário em que sua atenção e ritmo estão no auge.

Agrupe atividades semelhantes, por exemplo, tenha um horário fixo para ler e responder e-mails e só faça isso nesse horário determinado, pode ser até duas ou três vezes por dia, mas desde que seja em horários fixos. Telefonemas seguem a mesma lógica, anote todos num papel e ligue um depois do outro resolvendo tudo que for para ser dito ao telefone de uma só vez. Inclusive tente resolver o máximo de coisas por telefone, poupando tempo de reuniões, trânsito e a ansiedade do vai e vem de e-mails.

Programe paradas regulares, ninguém consegue trabalhar initerruptamente sem perder rendimento, então ter paradas regulares para tomar água, alongar os músculos, comer e descansar os olhos é fundamental para conseguir manter um ritmo mais homogêneo ao longo do dia.

Reserve algum tempo para o inesperado, não lote sua lista com o máximo de sua capacidade, do contrário será surpreendido com alguma tarefa inesperada e importante, como aquele cliente rentável que sempre aparece de última hora. Se não tiver essa sobra de tempo acabará tendo que sacrificar algo da lista ou não atenderá o cliente, o que de qualquer forma seria bem ruim.

Não se apegue, na hora de montar a lista vemos que não há tempo para algumas atividades, então delegue-as a outras pessoas capacitadas e de sua confiança. Ter uma equipe é fundamental, pois não há como resolver todos os problemas do mundo sozinhos.

Por fim, cuidado com desperdiçadores de tempo. Muitas vezes ferramentas em tese úteis como MSN, Orkut e tantas outras nos fazem perder tempo, temos que utilizá-las sempre que elas nos ajudarem, do contrário é melhor não ter.

Acredito que seguindo esses passos muitos conseguirão economizar algum tempo, aproveitar melhor o dia-a-dia.

Nos vemos em aproximadamente 15 dias,
[]’s
Armando Vernaglia Junior
http://blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br

carro002bpq - Camaro fotografado no centro de São Paulo

Que tal vender mais?

Este texto chega com atraso, normalmente publico perto dos dias 1 e 15 de cada mês, mas o trabalho e diversas questões pessoais (todas boas, felizmente), geraram uma pequena demora.

Para compensar resolvi escrever sobre algo prático e que pode ser aproveitado por todo tipo de profissional de imagem, seja ele fotógrafo, cinegrafista, designer, ilustrador ou mesmo outros prestadores de serviço.

É importante dizer logo no início que se você tem idéias e não consegue vendê-las, então está fazendo com que seus projetos acabem no lixo, e junto com eles muito do seu tempo que foi empregado para idealizar tudo, dessa forma percebemos que não basta ser um gênio criativo, é preciso saber vender.

Já vi bons profissionais serem alcançados pela falência por não se esforçarem nesse assunto, ou ainda pior, por considerarem o trabalho de vendas algo inferior. Muitos acreditam que para ter sucesso numa carreira voltada à imagem basta ter um bom portfolio, o que não é verdade. Nem uma bela pasta vai fazer você vender mais e tão pouco a atividade de vendas é algo inferior.

Vender deve fazer parte da estratégia de qualquer um, temos que separar tempo para isso, estudar, planejar e colocar em prática, do contrário cedo ou tarde seremos visitados pela indesejável falência.

Um dos primeiros passos da venda é o planejamento: decidir coerentemente o que será vendido, com que argumento, por qual preço e para quem. É preciso decidir público alvo, pois atirar para todos os lados só faz desperdiçar tempo e dinheiro. Igualmente importante é ter um bom argumento de venda, conhecer seus diferenciais sobre a concorrência e o que potencialmente seus clientes potenciais enxergam como atributos de valor.

Após planejar bem é necessário se preparar para o trabalho de vendas, ler sobre o potencial cliente, sobre o segmento de mercado dele e identificar onde o seu serviço pode ser útil. Faz parte da preparação montar um portfolio, seja ele em internet ou impresso, que esteja de acordo com o cliente. De nada adianta mostrar um vídeo institucional que você produziu para uma empresa a uma banda de música que quer comprar um vídeo clipe, assim como não adianta mostrar fotos de uma indústria petrolífera para o dono de um restaurante. O cliente quer ver o que você pode fazer por ele, no segmento dele.



Algo que aprendi certa vez e que faz parte desta seqüência é a qualidade de nossa argumentação, mais importante do que falar sobre nossos atributos é tentar descobrir quais problemas você pode solucionar para seu potencial cliente, então ao invés de sair dizendo que você pode fazer um novo folder, renovar o catálogo, criar uma campanha ou algo assim, tente conversar e saber as necessidades da empresa, em quais aspectos ele não está satisfeito com atuais fornecedores e tente se posicionar como um solucionador de problemas, isso sim é algo que todos querem comprar.

Acredite no que você vende, não adianta tentar comercializar um produto ou serviço apenas por que o mesmo está na moda e você quer aproveitar uma onda do mercado, fazer algo em que não acreditamos não costuma dar certo, e na hora de vender isso acaba transparecendo, seja na sua fala ou na sua postura corporal, o cliente fica desconfiado e você terá perdido tempo, o seu e o dele.

Por fim, um item que nunca podemos esquecer, na verdade dois: coragem e teimosia. O primeiro é fundamental, não importa se a empresa alvo de suas intenções é grande, ou atendida por um profissional famoso, se você tem qualidade, preço justo e acredita no que faz, tem que tentar. O segundo item, teimosia, é importante mas deve ser visto com cuidado.

Se você não conseguiu vender seu serviço ou produto em uma reunião, não desista, as vezes o momento não era o ideal, o cliente poderia estar com dinheiro preparado para outros investimentos, mas não significa que ele nunca precisará de você, então tente fazer com que cada reunião seja uma chance de manter uma porta aberta para oportunidades futuras, mas lembre-se, não seja um chato, dê tempo ao cliente para que ele solucione as questões que o ocupam hoje para que no futuro tenha espaço para sua proposta.

Vender não é uma ciência exata, depende de inúmeros fatores e está ligada à subjetividade do ser humano, assim sendo, se dedique a esta tarefa com carinho, perceba que na sua frente, mais do que um comprador, está um ser humano como você, que deve ser respeitado, e tratado com ética, este último item, acima de todos os outros que já citei.

Nos vemos em aproximadamente 15 dias,
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Armando Vernaglia Junior
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Desistência da Memória - O rompimento com o passado, a destruição das pontes já percorridas, em uma homenagem aos mestres Salvador Dali e Jackson Pollock