Divagações futurologistas
Andei tendo longas conversas com meu sócio, teorizações que tendem ao infinito e que versam sobre o tema imagem, isso se deve ao fato de que minha tese de conclusão da pós tratou da influência da fotografia na formação e consolidação da imagem empresarial, e a tese dele trata da importância da imagem nas novas mídias digitais e interativas.
Juntando as pesquisas que fizemos sobre esses temas com uma longa viagem para visitar um cliente um pouco distante de nossa base em São Paulo, acabamos tendo uma boa conversa “futurologista” sobre tendências do mercado de imagem, e considerei que valia abrir esse papo aqui no blog para receber opiniões de todos que passam por aqui.
Existem fatos claros no mundo a respeito de nossas vidas, um deles é que temos cada vez menos tempo, e outro é que dispomos de menos espaço físico, basta pensar no trânsito, no tamanho dos apartamentos e no espaço das classes econômicas dos aviões. No entanto estamos cada vez mais conectados, usamos internet em todos os lugares, mesmo que numa diminuta tela de celular.
É uma lógica simples de perceber que ao sermos compactados em pequenos espaços, desejaremos uma compensação, algo que pelo menos nos dê uma sensação de espaço, daí a conectividade para trazer essa liberdade.
E se todos podem falar com todos nesse canal chamado internet, observamos que as mídias estão cada vez mais próximas. A fronteira entre um jornal, uma revista e um canal de televisão tendem a desaparecer na medida em que estão presentes na rede, acessíveis de qualquer canto do planeta, ou pelo menos quase. No final tudo é entretenimento interativo e disponível.
Com essa possibilidade de acesso e conexão podemos nos livrar de alguns dos problemas reais de pouco espaço, não precisamos pegar trânsito para uma reunião simples, podemos fazê-la virtualmente, nem pagar altas contas de telefone se temos sistemas de voz sobre IP. Não ocupamos espaço em estantes com livros ou DVDs, armazenamos tudo em discos rígidos, memórias flash e artefatos semelhantes.
Mas existem ainda muitas barreiras, uma delas está no tipo de equipamento que utilizamos para conseguir toda essa interatividade. Um computador tem amarras em seu projeto que ainda o ligam a velhas máquinas de escrever, o teclado por melhor que seja, ainda é um instrumento rudimentar, arcaico, o tempo que levo para escrever este texto é imensamente maior que o tempo que eu levaria para recitá-lo, no entanto ainda tenho que sentar na frente do teclado e digitar, pois computadores normais ainda não são muito bons em reconhecer voz e transformá-la em texto. Pior é pensar no tamanho do sofrimento que seria escrever isso tudo num diminuto teclado de um PDA.
Será bom quando pudermos interagir com nossos equipamentos de forma mais natural, assim como interagimos com pessoas, fazemos isso falando, ouvindo e vendo.
Outra barreira evidente é a língua, os códigos lingüísticos pertencem a grupos, eles não são universais, ou seja, se eu não falo a mesma língua de um grupo, então não pertenço a este grupo mesmo que eu possa me conectar a eles. E no mundo temos muitos idiomas, viajei recentemente para um país e pude ver a dificuldade de algumas pessoas que não falavam a língua local.
Imaginem a soma das barreiras, o tempo de escrita/leitura de textos somado às dificuldades das línguas. Como seria bom interagir sem essas barreiras, se os dispositivos que utilizamos fossem inteligentes o suficiente para superar esses entraves.
Desse pensamento todo sobre equipamentos, barreiras e formas de interação, chegamos na questão da imagem. Uma foto vale mais do que mil palavras é o velho ditado, que nunca esteve tão certo como hoje.
Se não temos tempo para ler um longo texto, uma imagem nos entrega dezenas, às vezes milhares de informações num piscar de olhos, então para que perderíamos tempo escrevendo uma mensagem em um desconfortável teclado de celular se pudermos enviar uma foto e um som que digam o que queremos? Por que escreveremos e-mail se pudermos falar e mostrar imagens? Com certeza o texto, que no final das contas é uma imagem de palavras, tende a perder algum espaço neste mundo.
O mais interessante, a imagem rompe grande parte das barreiras lingüísticas. A foto de um ser humano é vista assim por qualquer outro ser humano, se a pessoa retratada estiver trabalhando, em qualquer canto do planeta saberão que ele trabalha, se estiver sorrindo, chorando, correndo, e assim por diante.
Profissionais de imagem têm um espaço certo no futuro, as mídias precisarão cada vez mais de imagem, mas como faremos para que nossas imagens rompam as barreiras? Como criaremos de forma universal e ilimitada? Esses são alguns dos desafios que temos adiante, e vocês que passam por aqui, alguns bons e velhos conhecidos, outros anônimos, que pensam sobre isso tudo? Vamos abrir o papo.
Vejo vocês nos comentários dos próximos dias e com um novo texto daqui duas semanas.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br
PS.: Aproveito para comunicar sobre um novo curso que darei na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, chama-se A Fotografia Na Comunicação Empresarial, vejam os detalhes neste link:
www.facasper.com.br/eventos/site/cursos_nota.php?id_secao=250
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