Arquivo de Setembro de 2008

Uma fábula sobre preços!

Antes de iniciar este novo texto, gostaria de agradecer a todos que passam aqui por terem proporcionado o belo debate incentivado pelo texto passado, sobre a questão da educação e cultura de imagem. Foi ótimo ver os comentários que surgiram, bem como desdobramentos do assunto em listas de discussão e fóruns, além das mensagens por e-mail que recebi.
Parece haver um consenso sobre a existência de lacunas sérias no desenvolvimento da cultura visual em nosso país e de que nós temos muito a fazer para corrigir isso.

Fotógrafos, cineastas, designers, ilustradores e outros profissionais de imagem devem ter consciência do valor de seus trabalhos, para assim ensinar esse valor aos clientes e à sociedade como um todo. Espero que cada vez mais este blog possa ser o palco desses debates, é para isso que ele foi criado.

Falando sobre a valorização das profissões que trabalham com imagem, sempre acabamos atrelando à conversa a questão do preço. Não tem como ser diferente pois o preço cobrado por um serviço e o valor percebido pelo cliente são dois lados de uma mesma moeda, desta forma volto ao tema da precificação de serviços, mas dessa vez com uma pequena fábula sobre como explicar o valor de algo para alguém.

Havia uma empresa famosa, um conglomerado empresarial nascido nas primeiras décadas do século XX pelas mãos de um homem visionário. Este homem tinha grande habilidade com máquinas, no trato com metais e disso fez sua profissão, criando peças para a nascente indústria automobilística. Seu filho tornou-se engenheiro e seguiu os passos do pai. Hoje o neto, também engenheiro mecânico, toca a empresa de forma dinâmica e competente.

Recentemente a empresa desenvolveu uma nova linha de peças e precisava comunicar isso ao mercado. Numa reunião entre o atual presidente e seu gerente de marketing ficou decidido que era necessário produzir um novo catálogo, que deveria estar disponível tanto impresso como na internet. O gerente parte em busca da viabilização do projeto, verificando preços com os profissionais pertinentes: designer, gráfica, web designer e finalmente um fotógrafo para registrar todos os novos produtos.

Para as fotografias ele contactou dois profissionais cujos sites estavam disponíveis pelo Google, o primeiro orçou o trabalho em R$300,00, o outro em R$3.000,00. Espantado e curioso, o gerente levou estes dados ao chefe que decidiu chamar os dois para uma reunião, pois alguém deveria saber explicar por que tanta disparidade no preço.

Entra primeiro o fotógrafo dos R$300,00, e questionado sobre seu preço, em relação ao outro profissional, disse apenas que o trabalho era o mesmo, que era simples e que o preço dele era o justo, com o outro ele jogaria dinheiro fora, mostrou uma pasta com seus trabalhos e saiu da sala sorridente julgando vencida a batalha.

Entra o profissional dez vezes mais caro e recebe o mesmo questionamento, a partir daí segue-se um diálogo entre o fotógrafo e o presidente da empresa, tendo ao lado o gerente de marketing.

- Presidente: Explique por que seu preço é dez vezes maior do que o outro que temos aqui, não compreendo os motivos para um mesmo serviço ter custos tão diferentes!

- Fotógrafo: Antes de explicar, posso lhe fazer uma pergunta? É que não entendo nada de mecânica, e sempre fico abismado em ver como um carro importado de luxo pode custar dez, vinte ou mais vezes que um carro popular, já que ambos em tese fazem a mesma coisa, como vocês são dessa área pensei em perguntar.

- Presidente: A diferença é enorme, para produzir o carro de luxo são utilizados equipamentos precisos e sofisticados, que fazem com que as peças se encaixem muito melhor, além disso as matérias primas são diferentes, metais, plásticos e tecidos de maior qualidade, vindos de fornecedores melhores e mais caros, e tem também os profissionais envolvidos, para desenvolver um motor de alta tecnologia você precisa dos melhores engenheiros, enquanto para um motor mais simples a mão de obra é mais barata, menos experiente, são muitas diferenças, essas são algumas, mas me explique esse seu preço afinal.

- Fotógrafo: Ok, veja que assim como para fazer um bom carro são necessários equipamentos melhores e mais precisos, para fazer uma boa foto de seus produtos, com melhor precisão de cores e contrastes, é preciso um equipamento fotográfico de alto nível. Assim como a indústria precisa das melhores matérias primas para fazer um grande automóvel, um fotógrafo tem em seu estudo e vivência as matérias primas para poder prestar um serviço de qualidade. Por fim, se é necessário um grande engenheiro, experiente, para produzir um bom motor, eu posso lhe dizer que para uma grande foto é preciso um fotógrafo experiente, que tenha atendido diversos clientes e tendo satisfeito às necessidades de todos eles. A fotografia não é tão diferente da engenharia, e acho que agora você compreende melhor o porquê do meu trabalho custar mais, pois eu atendo a todos estes aspectos, lhe dando assim garantias sobre a qualidade final.

Convencido pelos argumentos, o presidente determina a contratação do profissional mais caro, mas que também tem maior valor ao oferecer garantias, experiência e profissionalismo.

Esta história é uma fábula a respeito de preço, valor e negociação, mas posso dizer que vivenciei situações semelhantes a esta. A lição que quero deixar é a de que muitas vezes nossos clientes não compreendem o preço e o valor de uma imagem, não entendem os fatores que entram na composição do preço de um serviço pois este não é o universo de atuação deles, então precisamos tornar esses conceitos tangíveis e concretos.

Serviço é algo complexo de vender pois o cliente não pode testá-lo antes, por isso é fundamental que saibamos explicar nosso valor, dentro de algo compreensível ao comprador, que faça parte do repertório de conhecimentos dele e assim tornar menor a barreira que existe entre o prestador de serviços e seus contratantes.

Lembre-se sempre, preço é o que você cobra, valor é o que seu cliente percebe sobre seu serviço, caso ele perceba um grande valor, o preço deixa de ser uma barreira importante na negociação, passando a ser só mais um item entre outros. Mas caso o valor não seja compreendido, qualquer preço sempre será caro.

Vamos trocando idéias.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br

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Considerações sobre educação, cultura e imagem

Aqui no blog insisto na tese de que é importante as pessoas estudarem imagem, seja na forma de fotografia, vídeo, ilustração ou qualquer outra e valorizarem este tema que é fundamental em nossa vida e nos processos de comunicação.

Também defendo que o empresariado brasileiro deve compreender a importância de investimentos constantes em imagem. Ter boas fotografias em seus catálogos e bons vídeos em seus sites, só para ficar em dois exemplos, não é custo e sim investimento na reputação da empresa. É por esse conteúdo visível que o público irá formar opiniões sobre produtos e serviços.

O que citei acima são assuntos freqüentes que trato com meus clientes e alunos, e numa dessas conversas surgiu um ponto interessante: Será que falta cultura visual ao brasileiro? Seria este o motivo para empresas não investirem pesadamente em imagem ou talvez a razão para que pessoas não optem por cursar faculdades, pós graduações e tantos outros cursos nas áreas de fotografia, cinema, artes visuais e assim por diante?

Pensei bastante e notei que a questão não abrange só cultura visual, mas também a cultura geral das pessoas, sua educação e seu poder econômico. Vou citar alguns fatos para embasar meu raciocínio:

Nos EUA, Ásia ou Europa, é comum fotógrafos amadores possuirem câmeras “profissionais” (com controles manuais, lentes intercambiáveis, acessórios etc.) e equipamentos de vídeo de boa qualidade pois o acesso a equipamentos é fácil e barato. No Brasil em geral a pessoa tem uma câmera compacta do tamanho de uma saboneteira, fotografa e filma com isso e não pretende ter nada melhor no curto prazo pois outros equipamentos são muito caros. Disso vemos que um dos problemas é econômico.

Ainda na parte do mundo conhecida como desenvolvida, o público consumidor de equipamentos de áudio e vídeo busca aprimoramento com leituras e cursos. E desse costume nascem produtos como livros, revistas, workshops, escolas, faculdades e espaços para divulgação e produção imagética. Paralelamente, aqui há uma idéia de que sozinho e “fuçando” nas coisas a pessoa aprende, quase ninguém lê ao menos o manual do equipamento, o cinema nacional tem uma produção minguada e quando entra em cartaz tem pouco público, exposições fotográficas raramente movimentam as pessoas e museus em geral tem problemas financeiros por falta de visitação.

Então observamos uma questão cultural, de se satisfazer com pouco, de que qualquer resultado mesmo que mediano já serve. Isso afeta mercados editoriais e de ensino. Praticamente todas as boas revistas de fotografia lançadas faliram ou sobrevivem com tiragens mínimas, quase não temos faculdades de fotografia e cinema, mas qualquer país europeu tem várias instituições nesses assuntos. Chegamos ao problema da educação.

Como vemos, existem três lados, econômico, cultural e educacional, onde um não vive sem o outro, não adianta ter dinheiro se não tem cultura ou educação e vice-versa.

E isso se amplia de forma perigosa quando falamos em empresas, é comum ir a um restaurante e ver fotos péssimas no cardápio que as vezes dão nojo da comida retratada. É igualmente comum ver fotos em sites de indústrias em que o conteúdo mostrado denigre a própria empresa, o pior é que consumidores e investidores estrangeiros notam esses aspectos e deixam de investir por aqui.

Hoje se você vai em uma empresa e oferece a ela uma produção fotográfica ou cinematográfica, isso é visto como custo e raramente como investimento em comunicação. Sendo que foto e vídeo são as ferramentas de comunicação mais importantes que existem por serem universais e transmitirem mais informação em pouco espaço de tempo. Empresas deveriam entender que uma foto fala mais sobre ela e seus produtos do que dez mil linhas escritas, além de fazer isso para qualquer um independente da língua.

O ser humano é o animal mais visual que existe, nosso alfabeto é composto por imagens que nos remetem a sons e dessa soma lembramos de imagens, se eu falo a palavra “bola”, o que vem à sua cabeça é a imagem do objeto e não um conjunto de letras. Somos assim e por esse motivo investimentos em educação na área de imagem são necessários e prioritários.

E onde entram os atuais profissionais de imagem? Se você é fotógrafo, cinegrafista, cineasta, ilustrador, designer, publicitário etc, o que você pode fazer a respeito? Esta é uma pergunta que gostaria de deixar para que todos pensem, e se quiserem, postem comentários com suas idéias e opiniões. O que fazer pelo mercado de imagem?
Espero que com o tempo a melhoria financeira da população brasileira seja acompanhada por investimentos em educação e cultura. Desta forma o Brasil finalmente poderá chegar a algum lugar.

Devemos construir a imagem de que este é um país onde se trabalha, exporta, detém e desenvolve tecnologias, e não mais um país de carnaval e futebol, pois isso não nos levou e não nos levará a lugar algum.

Vamos trocando idéias.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br

PS.: últimos dias para inscrição no curso A Fotografia na Comunicação Empresarial, na Cásper Líbero, detalhes neste endereço:

www.facasper.com.br/eventos/site/cursos_nota.php?id_secao=250

PS2.: Inscrições abertas para os cursos Fotografia Autoral e Fotometria + Flash na Riguardare, informações pelo (11) 3105-7792, com Vanessa

concreto3 - Estudo fotográfico sobre o concretismo