Arquivo de Outubro de 2008

Convergência, estamos preparados?

A palavra convergência está na moda, a vemos publicada em revistas, sites e estampando artigos dos mais diversos como este aqui que escrevo agora. Não é por acaso, afinal não é um mero modismo e sim uma realidade de mercado.

Assim sendo vou tratar um pouco deste tema, dentro do que tange o dia-a-dia dos profissionais de imagem.

Primeiro tentarei explicar resumidamente do que se trata, usando dois exemplos distintos, mas com algo em comum: a teoria da evolução de Darwin e o que hoje se entende por convergência em termos de tecnologia.

Segundo a ciência, a convergência evolutiva acontece quando duas populações distintas e não relacionadas adquirem características semelhantes, por exemplo quando os adultos de duas tribos separadas na África adquiriram a capacidade de se alimentar com leite ou como golfinhos e peixes passaram a ter nadadeiras mesmo tendo origens genéticas completamente distintas. Desta forma ao evoluir, espécies distintas convergem para algum parâmetro comum.

Já na tecnologia, podemos dizer que convergência acontece quando mercados e tecnologias distintas convergem para um caminho único, então esse termo tecnológico atual relaciona-se muito bem com a biologia e a evolução das espécies. Teremos então que um telefone celular e um vídeo game, tão distintos em sua natureza e proposta, podem convergir para algo comum.

Mas vamos deixar a teoria de lado e falemos de algo prático. O fato é que hoje uma pessoa pode acessar a internet por um celular, assim como pode ver televisão e ler documentos com o mesmo diminuto aparelho. Por outro lado um computador pode fazer chamadas telefônicas com um sistema de VoIP e pode ser um vídeo game ou televisão. E vejam que vídeo games acessam internet e permitem outras formas de entretenimento além dos jogos.

Podemos perceber que televisores, computadores, celulares e vídeo games, só para ficar nestes exemplos, estão caminhando para se tornar um aparelho só, ou no mínimo dividirem suas funcionalidades de forma onde eles quase se confundam.

Quer mais um exemplo? Celulares fotografam e filmam, e recentemente grandes fabricantes de câmeras fotográficas adicionaram a capacidade de filmagem em alta definição para seus equipamentos de fotografia. Cinema e fotografia estão convergindo também, mas nada é mais natural que isso, afinal o cinema nasceu da fotografia, então sempre estiveram muito relacionados mesmo.

E não podemos esquecer de algo fundamental, a convergência também acontece em serviços. Uma seguradora tem oferecido help desk de informática além de outros confortos, agências de publicidade oferecem serviços de assessoria de imprensa, ilustradores oferecem design, fotógrafos oferecem filmagem e tantos outros exemplos que já temos por aí. Ou seja, múltiplos profissionais estão convergindo para oferecer mais soluções para seus clientes.

Daí surge a minha pergunta que dá título a este texto: Estamos preparados?

Essa questão se desdobra em várias, por exemplo, somos capazes de produzir imagens que sejam igualmente eficientes numa tela de computador, na televisão, numa mídia impressa e na pequena tela do celular? Afinal o conteúdo que produzimos para nossos clientes deve estar disponível para todas as mídias onde possa haver um consumidor.

Ou ainda, temos a habilidade de produzir conteúdos e soluções para nossos clientes que sejam adequadas a esta nova era? Lembro-me do alarde que foi feito com a proibição de outdoors na cidade de São Paulo, alguns fotógrafos e publicitários que conheço quase tiveram um surto nervoso. Mas afinal, os tempos e nossos conceitos mudam, será que um celular, um vídeo game ou qualquer outra traquitana moderna não pode ser muito mais eficaz do que um outdoor?

Outro dia vi um anúncio de uma geladeira que se conectava à internet, imaginem o que está por vir.

Vou citar uns exemplos de novos produtos e serviços que podem ser interessantes, ficarei dentro do mundo da fotografia e vídeo, minhas especialidades, mas vocês podem adicionar exemplos de outras áreas nos comentários e assim o texto ficará completo.

Um fotógrafo de eventos sociais pode enviar fotos do casamento em um slide show para os noivos pelo celular durante a lua de mel. Que acham, isso rende? Fica lançada a idéia. Casei-me recentemente, eu compraria esta idéia.

Um diretor de cinema pode ter mais de uma equipe de trabalho em lugares diferentes simultaneamente e acompanhar toda a produção online pelo seu celular, assim como médicos hoje podem operar à distância. Vejam a redução de prazos que isso possibilitaria.

Durante um evento empresarial os convidados podem ser fotografados, filmados e receberem seus retratos em seus celulares ainda durante a festa. Ao invés de uma foto impressa como já acontece, evitando desperdício de papel.

E assim vai indo, quantas outras possibilidades existem, mas deixo a pergunta, estamos preparados?

Vamos trocando idéias.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br

PS.: O texto desta quinzena não será ilustrado com uma foto, mas com 3 vídeos feitos com fotografias que minha esposa e eu produzimos durante uma viagem para a Italia =^)

Espero que gostem, vejam abaixo:

Roma


Roma (Rome) from Armando Vernaglia on Vimeo.

Firenze


Firenze - Florence - Florença from Armando Vernaglia on Vimeo.

Pisa


Pisa from Armando Vernaglia on Vimeo.

Tomadores de tempo e Ladrões de trabalho.

A vida de prestador de serviços não é simples, da mesma forma um profissional de imagem também tem um cotidiano complexo. Ser os dois ao mesmo tempo nem se fala.

Imagina somar as funções de patrão e funcionário, vendedor, gerente, atendimento e executor, diretor de arte e tudo mais, tendo que comercializar um serviço cujas características diferenciais em geral não são compreendidas pela maioria. E ainda tentar trilhar uma vida normal, com casa, família e amigos. Assim é a vida da imensa maioria dos fotógrafos, cinegrafistas, ilustradores, designers, consultores e mesmo publicitários, relações públicas e jornalistas, neste tempo em que é cada vez mais comum a união entre pessoa física e jurídica.

Não é fácil e no mar de coisas a fazer ainda enfrentamos um inimigo cruel, sanguinário e destemido, não somente uma pessoa ou algo, mas um fenômeno bizarro que toma o tempo de tal forma que quase inviabiliza nossa cadeia produtiva. Para nós, prestadores de serviço em imagem, a frase “tempo é dinheiro” é absolutamente verdadeira, e a cada vez que algo ou alguém nos toma tempo, estamos perdendo rendimento.

Vou dar alguns exemplos, sei que muitos de vocês que passam por aqui irão se identificar com uma ou mais dessas situações:

1 - O cliente pesquisador: um e-mail chega solicitando um orçamento, sem maiores detalhes ou algo que se assemelhe a um briefing, nem mesmo uma identificação de empresa. Você lê e responde pedindo mais detalhes ou telefona. No dia seguinte consegue uma resposta com algum nível de informação, mas não muito, com mais um ou dois telefonemas para esclarecer detalhes você está preparado para elaborar uma proposta. Fica diante do computador com planilhas fazendo cálculos, liga para fornecedores, perde horas para coletar a informação, elabora a proposta e envia. O tempo total gasto desde o primeiro e-mail pode ser algo em torno de 4 à 6 horas, e nenhum retorno acontece.

Você envia um e-mail para confirmar recebimento, mas sem resposta, telefona, mas te deixam na espera, depois de alguma canseira ou você desiste ou te informam algo como: “o projeto foi cancelado”, “resolvemos manter nosso fornecedor antigo”, ou ainda “só estávamos cotando, mas não temos idéia se o projeto vai mesmo ser feito”.

Algumas empresas fazem isso para pressionar seus atuais fornecedores, mantendo-os ameaçados com orçamentos de outros profissionais, mesmo que não haja uma real intenção de contratar outra pessoa ou empresa, mas essa pressão força os preços para baixo. Cabe a pergunta: e meu tempo, quem paga?

O mais desagradável é que isso às vezes é feito pelos concorrentes, que se disfarçam de clientes para saber seus preços, algo abaixo da crítica em termos de ética. Deixo uma dica, antes de enviar um orçamento, sempre ligue para o cliente, se ele não colocou telefone no e-mail, peça, se ele não der, é por que há algo de estranho.

2 - O cliente indeciso: o processo inicial é parecido com o anterior, mas aparentemente acontece um progresso na negociação e o chamam para uma reunião. Por azar a empresa fica do outro lado da cidade, duas horas de trânsito, mas tudo bem, se chamaram para a reunião é por que devem ter gostado da proposta. Durante a reunião você percebe que o cliente não sabe bem o que quer, e tem tantas dúvidas sobre o trabalho que fica discutindo com os gerentes na sua frente para ver o que farão enquanto você fica ali observando e se intrometendo na conversa para dar sugestões e ver se consegue fechar o negócio. As dúvidas sobre o trabalho são simples e poderiam ter sido resolvidas por telefone, mas você está lá pessoalmente perdendo tempo.

Volta para casa meio chateado, mas esperançoso, pois esse tipo de cliente pode render o trabalho - no final de um período tortuoso é verdade - mas pode render. Quem sabe depois de mais duas reuniões, uns cinco telefonemas e uns doze e-mails, a proposta é finalmente aceita. Às vezes esse processo leva meses e quando a proposta é aceita você já está cobrando mais, entretanto deixa por isso mesmo para fechar o trabalho e finalmente produzir. A produção e a entrega do material podem encerrar o processo, ou não. Clientes assim sofrem de total falta de planejamento interno, um mal que assola muitas empresas.

3 - O cliente super indeciso: segue os passos anteriores, mas após a entrega do material ele fica em dúvida, não sabe se era isso mesmo e pergunta se pode mudar alguma coisa. Começa aquela velha discussão sobre refazimento, com você tentando explicar o limite entre pequenas alterações e uma mudança completa. O cliente solta algo como “é uma mudança simples, pouca coisa, é só mudar isso aqui” e em geral o “isso aqui” corresponde a 50% do trabalho ou mais. Nova rodada de negociações e ao final você percebe que esse cliente toma tanto tempo que o valor pode não compensar. Um caso extremo de falta de planejamento.

4 - O ladrão: esse é o pior tipo, pois ele não liga nem pede orçamento, ele simplesmente rouba algo que estava “disponível” na internet, aí você chama advogado, junta provas, perde tempo, entra com processo, perde dinheiro, tem a primeira audiência de conciliação sem acordo. Vai para a próxima audiência, com testemunhas, e o processo vai indo nos longos corredores da justiça. Por isso eu digo, se você viu uma foto na internet, entre em contato com o autor, ela tem dono e em geral tem um preço, sair pegando é roubo. E você que é profissional de imagem, achou seu trabalho de forma irregular por aí, acione a justiça, fale com seu advogado, essa prática nefasta só vai acabar quando soubermos defender nossos direitos.

Esta é uma vida dura mas que tem grandes compensações, ser empreendedor e dono do próprio nariz trabalhando com o que gosta já é uma grande vantagem, o desafio é saber lidar com entraves como os tomadores de tempo e os ladrões de trabalho. Para o primeiro caso, ter uma boa habilidade de negociação ajuda, pois você consegue extrair muita coisa por telefone e e-mail perdendo menos tempo, além disso, o uso da tecnologia permite reuniões virtuais e isso pode ajudar muito. Para o segundo caso, basta contar com muita paciência e bons advogados.

Nos vemos em 15 dias.
Grande abraço,
Armando Vernaglia Junior
blog.vernaglia.com.br

PS1.: NOVIDADE: VIDEO NO YOUTUBE:
Novo slide show, desta vez com fotos que fiz em Roma, Itália, durante minha viagem de lua de mel, tem lugares lindos lá, espero que gostem, vejam no link:
http://br.youtube.com/user/ArmandoVernaglia

PS2.: CURSO Fotometria + Flash
Esse curso é ao mesmo tempo a junção dos meus tradicionais curos de fotometria (que teve dez turmas) e flash (cinco turmas), e também uma atualização do conteúdo para englobar conceitos modernos e que tratem ao mesmo tempo dos dois temas de forma prática e dinâmica. Voltado ao aprimoramente de estudantes e profissionais que queiram atingir uma maior precisão no controle da luz em seus trabalhos.

Maiores informações, preços e reservas com a Vanessa, pelo telefone (11) 3105-7792

 MG 6378quadpq 1 - Risotto ai Vegetali