Novos tempos modernos
Sabem de uma coisa, não adianta chorar, esbravejar, gritar, não tem jeito, os tempos mudam. Concordemos ou não com isso.
Todos os que trabalham com imagem, sejam fotógrafos como eu ou ilustradores, designers, videógrafos, cinegrafistas, publicitários e tantos outros já foram de uma forma ou outra atingidos por mudanças.
Neste cenário vemos muitas coisas acontecendo, temos pressões por orçamentos menores, sob argumentos que vão da concorrência à crise mundial, pedidos de formatos diferenciados para se adequarem a novas mídias, prazos menores, em geral para dias anteriores ao pedido em si. Enfim, todo o nosso dia-a-dia profissional vem sofrendo transformações e ajustes.
Participo de diversas listas de discussão na internet, além de comunidades virtuais e fóruns, e nesses ambientes é comum ouvir uma gritaria geral, todos reclamando de tudo, uma hora reclamam do prazo que o cliente pediu, na outra do valor disponível ou ainda da variedade de formatos e exigências do trabalho. Há uma verdadeira choradeira com muita gente reclamando dos clientes. Antes de prosseguir, só devo dizer uma coisa: lembrem-se de que os clientes é que pagam suas contas. =^)
Dito isso, quero aprofundar um pouco um pensamento que me ocorreu esses dias. Quando de seu surgimento, a fotografia era uma inovação, a grande descoberta que viria a modificar os passos da sociedade. Cinema e televisão, descendências diretas da fotografia, também foram inovações espetaculares. O mesmo podemos falar da expansão do design durante o século XX e daquelas fenomenais ilustrações publicitárias dos anos 40 e 50.
Os primeiros fotógrafos, cineastas, os grandes designers e ilustradores, são como heróis para nós, eles deixaram algo na história e começaram a pavimentar as estradas por onde andamos. Por isso, devemos algo a eles.
Mas termos uma dívida de gratidão com nossos precursores não significa que devemos imitá-los e achar que nosso mercado deve seguir os moldes de outros tempos, pois como dito no começo do artigo, os tempos mudam e fazem isso rapidamente.
Penso que há uma característica presente em nossos referenciais que estamos ignorando, todos eles eram absolutamente inovadores, e foi assim que criaram as obras memoráveis que hoje observamos em livros e exposições.
Talvez todos que hoje estejam esbravejando contra os novos tempos tenham se esquecido de inovar, perderam o bonde da história e não sabem bem que caminho trilhar, presos em caminhos aparentemente fáceis ou fórmulas de sucesso que podem ter funcionado em outros tempos, mas hoje não mais. Se toda a sociedade muda, tudo aquilo que chamamos de comunicação deve andar junto, ou ainda, antecipar tais caminhos.
Quero finalizar o texto com um questionamento: o que é melhor, ter que se adaptar e correr atrás das mudanças ou serem os pioneiros dos novos tempos?
Nos vemos em 15 dias,
[]’s
Armando Vernaglia Junior
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