Arquivo de Maio de 2009

Triste, mas verdadeiro…

Normalmente só posto fotos, vídeos e textos de minha autoria por aqui, mas achei necessário postar o vídeo abaixo, dica do amigo Danilo via Update Or Die

É uma triste realidade, ninguém fica “pechinchando” quando compra comida no mercado, mas fazem isso com a prestação de serviços. Você pode querer uns descontos aqui e ali, pode desejar parcelamentos, isso é normal. Mas ninguém propõe a um chef de um restaurante que cozinhe de graça para fazer um teste ou decide comprar um CD sem pagar pois quer ouvir e ver se gosta.

Infelizmente é comum ouvir propostas desse nível quando se vive em profissões como fotografia, design, ilustração e outras. Já ouvi dezenas ou centenas de vezes frases como: “é possível fazer essa foto agora como um teste e no próximo trabalho acertamos um valor?”, ou quem sabe “que tal fazermos assim, eu posso te pagar metade disso, mas no próximo trabalho compensamos”, e ainda, depois de aprovar um orçamento e receber o trabalho dizer “olha, estamos numa situação difícil, iremos pagar, mas só poderei fazer isso em 60 dias”. Entre outras.

Sabem, se ninguém divide comigo os lucros dos bons tempos, por que querem sempre dividir os prejuízos?

Vejam o vídeo:

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Armando Vernaglia Jr
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Criatividade X Técnica

Há um mito na fotografia de que o aprendizado com profundidade da técnica pode limitar a liberdade criativa. Ouvi diversas vezes isso, dito por alunos e por pseudo profissionais que conheci ao longo dos anos.

Esse mito também acontece em outras áreas, é comum ouvir algo semelhante na música e na pintura, provavelmente ele exista em todas as formas artísticas de expressão que conhecemos.

Devo dizer que aprender algo em profundidade jamais irá cercear ou reduzir sua liberdade criativa, isso é uma imensa bobagem pensada por muitos e repetida por outros tantos, mas é bobagem, nada mais do que isso.

Imagine por um momento se Leonardo da Vinci pudesse imaginar o sorriso da Mona Lisa mas não tivesse a técnica do sfumato para realizá-lo. Podemos também pensar que Michelangelo poderia ter várias idéias sobre sua Pietà, mas caso não soubesse de todas as técnicas e sutilezas da escultura em mármore não chegaria a lugar algum.

Saindo da área artística e entrando no mundo esportivo, qualquer um de nós é capaz de correr 100m, mas fazer isso em menos de dez segundos exige técnica, desde o controle da respiração, passando pela forma de pisar, de mover braços, ombros e de ter controle absoluto sobre mente e corpo. São treinos exaustivos para atingir os resultados.

Mais um exemplo? Vamos lá, Michael Schumacher nunca seria o maior campeão de toda a história da Fórmula 1 se não dominasse a mecânica e engenharia por trás dos carros que pilotava. Ele sabe ajustar tudo no carro para obter os resultados e isso é fruto de técnica, estudo e treino.

Por isso tudo, vamos encerrar definitivamente com esse mito de que estudar limita a criatividade, pois é exatamente o contrário, quanto mais técnica existir em seu repertório, mais recursos você terá para dar vazão à criatividade.

Costumo dizer nas minhas aulas que um fotógrafo dominar a escolha de lentes, compreender o ângulo de visão e os efeitos de perspectiva, executar uma fotometria perfeita, ter compreensão da luz, da sombra e dos contrastes, ser rápido e atento o para nunca ter uma foto fora de foco, tudo isso são obrigações e não diferenciais.

É bom que se diga que uma coisa é ter técnica e cometer erros, todo ser humano erra inclusive os gênios que citei anteriormente, mas se em cada 100 fotos que você fizer, você tiver que corrigir luz, enquadramento, ou o foco não estiver preciso, ou houver tremidos em umas 10 delas, você está muito mal em sua técnica.

Uma boa margem de erro em minha opinião é de uma foto em cada cem, se você atingir esse nível, tendo que apagar uma em cada cem fotos feitas, está ótimo. Se ainda não consegue isso, estude e treine mais até conseguir. Você irá passar menos tempo no computador corrigindo coisas, entregará trabalhos melhores aos seus clientes e merecerá o dinheiro que eles pagam.

Falando nisso, e já vendendo meu peixe, na AGENDA tem novidades, nova turma de Fotometria e Flash, em formato intensivo, renovado e melhorado. Esse é o curso ideal para quem busca consistência de resultados, com ou sem flash, em qualquer situação de luz.

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Armando Vernaglia Jr
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Ponte Hercílio Luz - Florianópolis

ps.: ilustro este texto com esta foto que fiz em Florianópolis e que demonstra a importância do domínio técnico sobre a luz, feita com filme positivo (cromo), com o uso de filtros graduados de densidade neutra e de correção de cor, sem nenhum photoshop.

Mais fotos… e uma reflexão.

Acho que vou alternar entre artigos e fotos, que acham?

Além das fotos, gostaria de compartilhar uma reflexão com vocês.

Quando estive na Itália, vi obras magníficas produzidas por nomes incontestáveis como Da Vinci, Michelangelo, Andrea Pozzo, Filippo Brunelleschi e tantos outros. Há algo em comum entre estes gênios: eles dedicavam-se integralmente às suas obras.

Eram seres capazes de ficar anos e anos em um projeto, aturando reclamação de seus clientes, sim, estes artistas tinham clientes assim como nós, não faziam arte pela arte. Exatamente como acontece com cada um aqui, eles tinham que pagar contas, comer e tudo mais. Os clientes eram mecenas, banqueiros, a igreja, entre outros, e que estipulavam prazos irritantes, pagavam menos que o merecido e ainda atrasavam, assim como acontece hoje.

Mas estes nobres nomes que citei, entre outros, nos deixaram uma herança maravilhosa, com grandes descobertas, novas técnicas, outras formas de ver e de pensar.

Daí a reflexão que quero deixar. E nós, faremos o mesmo? Iremos além da mediocridade e deixaremos algo de real valor para as próximas gerações? Pensaremos além do óbvio, produziremos além do banal? Seremos nós capazes de nos colocar em longos e sacrificados projetos, com pouco dinheiro e reclamações o tempo todo, para assim conseguirmos construir algo que tenha valor para o ser humano?

É para pensar. Seguem fotos que ilustram um pouco do que vi por lá.

Piazza del Capidoglio

Gloria di Sant\'Ignazio, de Andrea Pozzo

Firenze

Roma e Vaticano

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A Porta dos Fundos do Mercado

Algumas pessoas talvez se ofendam com este texto, mas digo que minha intenção é a de causar reflexão. No artigo passado tratei do que considero o caminho certo para entrar no mercado, a porta da frente, neste falarei do jeito errado, adotado pela maioria.

Hoje todo mundo pode ser fotógrafo, basta comprar uma câmera. Após esse simples passo é questão de achar tutoriais na internet, perguntar alguma coisa para alguém disponível, quem sabe ler uma revista e pronto, é só sair por aí dividindo com o mundo suas visões únicas obtidas com sua nova máquina digital de “trocentos” megapixels.

Em tempos de crise na indústria o processo se intensifica, pois muitas pessoas perdem o emprego e na urgência de conseguir ganhos financeiros abraçam profissões livres, artísticas e não muito regulamentadas, como fotografia, ilustração e design.

É tudo fácil e simples no admirável mundo novo das tecnologias digitais e do moderno limpa tudo chamado photoshop. Se não souber usar o photoshop basta ajustar um bom discurso e dizer que aquilo é seu estilo, sua arte, sua visão e deixar assim mesmo, cheio de defeitos e falar que é proposital.

A foto saiu escura? Tremida? Tudo bem, converta para preto e branco que fica ótimo, se está fora de foco coloque bem pequena na página que ninguém irá reparar. Composição mal feita e sem harmonia? Sem problemas, corta um pouco daqui, um tanto dali, aproveita só um pedacinho da foto e pronto, tem “trocentos” megapixels para isso mesmo. Estudar e fazer tudo do jeito certo? De jeito nenhum, curso demora e custa caro.

Ironia? Não, é o retrato fiel do mercado em que qualquer um se diz fotógrafo e todo lixo é chamado de fotografia, pior, é chamado de arte. Para as dores póstumas de gênios como Bresson, Doisneau, Man Ray, Halsman, Brandt, Munkacsi e outros.

Devo dizer, cortando a alegria de muitos, que não, essa montanha de gente no mercado se dizendo fotógrafos não o são, não merecem este título e não tem o direito de exercer essa profissão. Deveriam ser processados por jogarem o dinheiro dos clientes no lixo.

A cada um que neste momento pensa em ser fotógrafo, estude, pesquise, compre livros, faça cursos. Se for autodidata, seja um pesquisador incansável em busca de imagens realmente valiosas, que engrandecem o ser humano. Faça por merecer o título de fotógrafo, respeite essa profissão que já teve nomes tão nobres e inspirados como os que citei acima.

Respeite também seus clientes, eles pagam suas contas e não merecem receber disfarces feitos no photoshop de fotos mal feitas.

Alguns vão dizer que ando rabugento, reclamo de tudo, mas cheguei à conclusão de que se ninguém falar, muitos vão continuar achando que estão fazendo o certo, de que é normal comprar uma câmera, estudar um pouquinho e sair por aí dizendo que é profissional. Imagine se eu fizesse um curso básico sobre anatomia e saísse por aí dizendo que sou médico. Espero que alguém leia, reflita e opte por fazer as coisas do jeito certo, com estudo profundo, respeito e dedicação.

E lembrando: a todos que investem nos estudos, compram livros, pesquisam, visitam museus para ver e entender arte em todas as formas, participam ativamente de listas de discussão e fóruns ajudando e sendo ajudado, que esperam para estar prontos, com boa técnica, bom repertório artístico e estético antes de se colocarem no mercado, este texto não é para vocês.

Nos vemos em breve, a periodicidade quinzenal acaba de ser abolida. =^)

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ps.: ilustro este texto com uma foto que fiz na cidade de Firenze, aqui conhecida como Florença, Itália.

Firenze166pq - Firenze, Itália