Arquivo de Setembro de 2009

BV é Imoral

Minha opinião sobre o BV está no título deste artigo, daqui em diante irei explicar o que é o BV para aqueles que não o conhecem, bem como colocarei os motivos para minha posição a respeito do mesmo.

Primeiramente vamos ao que oficialmente se conhece como sendo o BV. Irei reproduzir um texto da revista Negócios da Comunicação, edição 10 :

“Modelo genuinamente brasileiro, a bonificação por volume (BV) surgiu no início dos anos 60 com o objetivo de ser uma política de incentivo ao aperfeiçoamento das agências de propaganda, seja no que se refere ao desenvolvimento de profissionais, seja pela aquisição de ferramentas que contribuíssem para melhorar a qualidade do trabalho. Criado pele Rede Globo de Televisão - e logo adotado pela Editora Abril - , com o passar dos anos o modelo se espalhou por outras empresas e setores da mídia. 
O BV é o pagamento de um bônus às agências, proporcional ao investimento total feito pelos seus clientes em um determinado veículo. Em outras palavras, quanto mais publicidade destinada a um veículo, maior é o BV recebido.”

Oficialmente é isso, o meio de comunicação paga para agências uma porcentagem pelo volume veiculado. Só isso já seria suficientemente prejudicial ao mercado, pois leva à concentração de investimento em poucas mídias que pagam mais em detrimento do que é melhor para o cliente anunciante, isso é ruim mas não é o assunto deste artigo.

Tratarei de algo que nasceu quando alguém achou que se era normal e aceito o BV em grandes mídias, então ele poderia ser normal e aceito em pequenas negociações ao longo de toda a cadeia produtiva da comunicação, que envolve fotógrafos, cinegrafistas, gráficas, designers, ilustradores e outros. Desse dia em diante, o inferno se fez presente e a ética morreu.

Hoje é quase impossível receber um pedido de orçamento de uma agência que não venha com o pedido semelhante a um “favor incluir 5% de BV”, variando a forma, os termos e a porcentagem, mas quase sempre presente.

Da mesma maneira é quase inexistente uma gráfica que logo no primeiro contato em que eu peça orçamento não pergunte algo como “quanto você quer de BV?”

Designers pedem BV para contratarem suas fotos, fotógrafos pedem para a gráfica, gráficas pedem para mais alguém, ilustradores pedem para os coloristas, agências pedem para todos os anteriores.

Recentemente um amigo contou a incrível história na qual uma funcionária do departamento de marketing do cliente queria que ele pagasse 25% de BV para ela sobre um serviço que ele prestaria para a empresa. Ou seja, a tal funcionária está roubando 25% de um orçamento da empresa na qual ela trabalha.

Ruim? Sim, e pode piorar. Os motivos são muitos mas vou me concentrar em inflação, impostos, ética e queda nos lucros.

Quando o profissional recebe o pedido de incluir um BV ou ele retira a porcentagem do seu preço e perde parte do lucro, ou soma a porcentagem e inflaciona o serviço sem ganhar pelo valor mais alto. A segunda escolha é bastante prejudicial aos clientes enquanto a primeira atinge diretamente a qualidade de vida do profissional. Considere ainda que cada centavo extra no orçamento gera aumento de impostos.

Por fim, se não consideramos ético, moral ou correto um político “receber uma graninha” de uma empresa que vai construir um viaduto, por que seria ético, moral ou correto desviarmos qualquer porcentagem da verba de um cliente seja em favor próprio ou de terceiros?

Graças a tudo isso, eu não pago nem recebo BV, se oferecem digo para descontar do preço e quem ganha é meu cliente, se pedem eu não pago. Perco o trabalho e o cliente, mas prefiro trabalhar para quem tem valores éticos.

E você, o que acha disso tudo?

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Armando Vernaglia Jr
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BAMBU04 - Bambu

O que é uma boa foto?

Esta e uma questão complicada, mas que com certeza ronda a cabeça de muitos fotógrafos, sejam eles amadores ou profissionais. Como definir o que é qualidade em fotografia?

Primeiramente vamos considerar que a fotografia não depende só dela e de quem a fez, mas de quem olha. O escritor e semiólogo francês Roland Barthes tratou bem desse tema em vários dos seus livros, versando sobre a influência do receptor da mensagem, que pode dar a ela uma interpretação condizente ou não com aquilo que o fotógrafo queria mostrar.

Penso num exemplo sobre este assunto, uma pessoa se auto flagelando pode ser horrível para mim mas heróica para outro, a imagem de uma criança faminta na África pode causar impacto em uns e ser completamente ignorada por outros. É essa relatividade que torna bem complicado termos uma verdade única sobre o que é uma boa fotografia.



Na minha opinião, e aí fecho a questão dentro dos meus referenciais, gostos e costumes, uma boa fotografia tem acima de tudo harmonia. Algo que faça com que eu consiga ler a imagem sem perder a atenção com algo que pareça não pertencer à cena. A leitura deverá ser fluida, natural, sem distrações ou ruídos visuais.

Tendo harmonia já tem quase tudo que eu gosto.

Além disso prezo por poucas cores na imagem, defendo que é melhor ter duas cores bem vivas e contrastadas do que um monte de tonalidades, uma paleta infinita de cores sem que nada tenha destaque.



Fora isso prezo muito a técnica em si, foco bem feito, com profundidade de campo bem controlada, sem tremidos, com a luz captada de maneira interessante, dando volumes e formas ao que é retratado.

Ao meu ver o tema da fotografia não importa pois prefiro observar características mais amplas. Mas já conheci pessoas diferentes, há quem veja uma foto de um determinado tema, e não importa se está focada ou não, com harmonia ou não, se o tema interessa a foto fez sucesso. É a tal relatividade que citei acima.

Penso que a foto carregue os ideais do fotógrafo que a fez, aquilo que o revolta ou emociona, aquilo que ele gosta ou desgosta, e se nós receptores dividirmos esses conceitos, iremos partilhar ou não da visão do autor.

Mas são minhas opiniões apenas.

E você, na sua opinião o que é uma boa foto?

Aproveito para agradecer a todos que por aqui passam, este blog chegou a 100.000 visitas em menos de 3 anos de vida, meu muito obrigado a todos vocês! =^)



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Armando Vernaglia Jr
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Roma053pb - Foro Romano

Orçamentos

Muitos fotógrafos não sabem fazer um orçamento, assim como muitos clientes não sabem o que pedir. Como esse problema é comum, resolvi escrever um pouco sobre isso, separando pontos importantes que devem ser considerados:

1 - Quantidade: nunca devemos trabalhar um orçamento baseado em “algumas fotos disso” ou “preciso de fotografias daquilo”, é necessário determinar quantidades de maneira exata. Esse fator influencia diretamente sobre o volume de trabalho, tanto durante a produção das fotos como no tratamento em computador.

2 - O que será fotografado: não basta saber se vamos fotografar produtos, lugares ou pessoas, mas que tipo de produto, quais lugares e quem são as pessoas, pois uma caneta é diferente de uma geladeira e um executivo é diferente de uma top model.

3 - Prazos: é necessário ter clareza dos prazos de produção e entrega do material, preferencialmente com datas exatas, assim você sabe quando e por quanto tempo irá trabalhar. Por sua vez, o cliente tem tranqüilidade sobre quando receberá o trabalho.

4 - Forma de entrega: a fotografia é um serviço, e como tal não é nada se não for entregue. É necessário especificar se a entrega será em CD + provas impressas, apenas impressões, DVD, um kit com várias coisas ou o que for. Além disso, em caso de arquivos é necessário definir tamanho, resolução, modo e espaço de cor. De nada adianta falar em “arquivo em alta” se não informar o tamanho do arquivo, por exemplo 20x30cm de tamanho com 300dpi de resolução.

5 - Uso das fotos: uma das fontes de remuneração dos fotógrafos é o uso em mídia de suas imagens. Se a foto será usada em revista e só, terá um preço, mas se for revista, site, e-mail marketing, banner e catálogo, o valor sobe. Isso acontece pois o fotógrafo terá mais trabalho adequando arquivos a formatos, modos de cor e resoluções diferentes e pelo fato natural de que clientes com porte suficiente para grandes campanhas de mídia podem pagar mais do que uma micro empresa que fará uso limitado da foto.

6 - Referências: imagens que se assemelham ao resultado desejado devem ser anexadas ao pedido de orçamento. Elas são importantes pois permitem que o profissional quantifique o volume de serviço e compreenda estilo visual.

Se você é fotógrafo, lembre desses pontos sempre que receber um pedido de orçamento. Caso faltem informações, pergunte tudo antes de elaborar sua proposta. Se você é cliente, defina todos os fatores antes de pedir o orçamento. Fazendo dessa forma todos ganham pois transparência em uma negociação é útil aos dois lados.

Uma dica final: orçamento só por escrito, seja por e-mail ou fax, mas nunca por telefone. É melhor que seja assim pois fica tudo documentado.

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Armando Vernaglia Jr
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Duomo di Pisa - Pisa025pb