O mercado atual.

Faz tempo que não posto nenhum artigo, felizmente isto se deve a muita ocupação por aqui então peço desculpas aos amigos e leitores pela ausência.

Ainda no ano passado prometi escrever sobre o mercado atual e também comentar ferramentas de marketing úteis e inúteis para profissionais de imagem, este artigo é o primeiro dessa nova série.

O mercado mudou, já sabemos disso, mas há fatores que devemos considerar quando confrontamos o hoje com o ontem, a saber:

- hoje há mais concorrência em todas as áreas, com mais oferta em serviços de imagem;
- as crises financeiras deixam empresas temerosas em fazer grandes investimentos, daí acontece a retração na demanda por serviços considerados supérfluos pela maioria dos donos de empresas;
- entenda que foto, vídeo, logotipo novo, ilustração, tudo isso é visto como supérfluo pelo dono da empresa, salvo exceções;
- quando há mais oferta e menos demanda, temos obrigatoriamente uma forte pressão sobre os preços praticados pelos prestadores de serviço;
- o conhecimento está mais disponível e os equipamentos cada vez melhores, com isso ter diferenciais técnicos sobre a concorrência é cada vez mais difícil. Se hoje você fotografa, filma ou desenha melhor que seu vizinho, amanhã pode ser o contrário se ele passar uma noite na internet estudando e treinando, sendo assim estude mais;
- os equipamentos estão mais acessíveis por isso gastar fortunas nisso em geral é bobagem, aprenda a extrair o máximo de materiais que custem menos.

Conclusão: o mercado está encolhendo pois há menos gente pagando para mais gente prestando serviço. Isso vem acontecendo há anos, não é novidade.

Há quinze ou vinte anos, era possível ter grande rendimento vendendo fotos para bancos de imagem, bastava fotografar bem e ter uma produção constante para receber centenas ou milhares de dólares mensais. Hoje para fazer dinheiro com banco de imagens você precisa produzir dez vezes mais e ganhará dez vezes menos. Não significa que não seja possível fazer dinheiro neste segmento, apenas é mais difícil.

Outros mercados sofrem saturação semelhante e consequentemente dificuldades iguais. Um fotógrafo de casamento de alto nível poderia fazer poucos casamentos por mês e viver muito bem, hoje precisa fazer mais, se possível ter uma equipe e conseguir cobrir dezenas de eventos por mês, ganhando no volume de trabalho.

Isso tudo é bom e ruim ao mesmo tempo. Depende de sua criatividade descobrir pequenos segmentos ainda rentáveis, explorá-los e sair deles quando estiverem saturados, também depende de você ter a melhor técnica na execução de seu trabalho que seu cérebro permitir pois é isso que irá lhe garantir executar trabalhos de qualidade rapidamente.

Mas principalmente, depende de você a disposição para entender que o mercado hoje exige de um profissional de imagem trabalhar bem mais do que trabalhava, esqueça os horários livres no meio da semana, se sobrar um minuto, gaste ele estudando e divulgando seu trabalho.

Nos vemos em breve com um artigo sobre números e estatísticas… é, você precisará disso.

[]’s
Armando Vernaglia Jr
www.vernaglia.com.br
vimeo.com/vernaglia
www.flickr.com/armandovernaglia/
@VernagliaJr

Museu do Ipiranga (Paulista Museum) (015)

Armando Vernaglia - View my most interesting photos on Flickriver

3 comentários

  1. Pedro Puma em 5 de Fevereiro de 2010

    ótima introdução ao assunto. Se me permite linkar, recentemente o Clicio comentou sobre parte do que foi escrito. http://www.clicio.com.br/blog/2010/pulga-na-cauda-longa/

    A questão de ‘descobrir pequenos segmentos ainda rentáveis’ é interessante. Trocamos milhares de informações pela internet, dicas, técnicas, reviews, etc. Mas não vai aparecer alguém escrevendo ‘venham pra cá que está dando uma grana bem legal…’.

    Ao contrário, a fotografia se banaliza pelas facilidades atuais, hoje não é difícil fazer um trabalho com ferramentas como uma DSLR e um photoshop e lightroom. Todos os dias milhares de jovens tem a brilhante idéia de “ganhar um dinheiro com o que gosta” querendo fotografar as opções que tem menos barreiras de entrada, como aniversários e casamentos, onde o contratante costuma ser um bom leigo querendo gastar.

    Espanta o nível baixíssimo de seriedade com que muitos se apresentam. Meros clicadores de ocasião, sem a menor cultura visual, sem referência, sem instrumental, sem a delicadeza que existe em trabalhar com o olhar sobre a imagem. Enfim, c’est la vie.

  2. Armando Vernaglia Junior em 5 de Fevereiro de 2010

    Olá Pedro, havia lido o artigo do Clicio, que de fato trata do tema de forma consciente, obrigado pela menção.

    É como você disse, é relativamente fácil fazer um trabalho fotográfico, aparentemente não é pois o equipamento, o conhecimento e os softwares estão disponíveis, mas isso é apenas aparentemente. Uma coisa é fazer um trabalho aqui e ali, outra é ter clientes, constantes, frequentes e bem atendidos. Há um abismo entre fazer umas fotos para um consumidor e atender a um cliente e precisamos entender isso. Fazer a foto é uma parte bem pequena do processo, como em qualquer negócio.

    Prospectar clientes, analisar informações, fazer contatos, abordar, mostrar, convencer, vender, fotografar, tratar, entregar, pós venda… como vê, fotografar em geral não corresponde a 10% do trabalho, lógico que sem isso não é fotógrafo, mas sem o resto, não trabalha, não conquista cliente, não fideliza etc.

    Só fazer uma boa foto não fideliza cliente. Aliás fidelidade de cliente é algo delicado, mesmo os mais fieis são sensíveis a preço e fatores de mercado.

    O que você falou sobre clicadores de ocasião existe, mas veja que um cliente só vai saber a diferença entre esses e profissionais sérios, com cultura visual e repertório, após a compra, ou talvez nunca saiba, e vá ficar comprando cada vez de um diferente na base da tentativa e erro, pois clientes em geral não entendem de imagem, e nem tem obrigação, o negócio deles é um, o nosso é que é entender de imagem. Aí vem a parte de educar clientes, um longo processo.

    Por isso tudo, se alguém descobre um novo nicho, ele não vai divulgar para ninguém pois dá um trabalho enorme achar esse nicho e conquistá-lo. Eu entendo a atitude de quem acha a brecha e não fala para ninguém, cada um está pagando suas contas, alimentando sua família etc, é uma atitude bastante compreensível.

    Cabe a cada profissional estudar o mercado, entender seu funcionamento e trabalhar. Veja que nem só de pequenos nichos vive o mercado, há dezenas de práticas comerciais viáveis mesmo em mercados super saturados. Por essas eu sempre falei, aliás repeti à exaustão em meus cursos que além de estudar fotografia, fotógrafos deveriam estudar administração e marketing, mas poucos são os que se dão a esse trabalho.

    Vamos falando
    Abração,
    Armando

  3. Pedro Puma em 8 de Fevereiro de 2010

    Obrigado Armando. Seu comentário complementou muito bem seu post. Parabéns pelo excelente trabalho que vc apresenta, e por compartilhar suas idéias conosco. E como formado em Adm e pós-graduado em finanças, concordo totalmente com vc. :)
    Abraço.

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