Arquivo da categoria ‘História’

Fundo do Baú 2

Várias pessoas gostaram da série de fotos antigas que tenho postado, então resolvi revirar mais um pouco o fundo do baú para ver o que mais posso tirar dele.

Como citei anteriormente, fiz essa série entre 1997 e 1999, mais precisamente entre março de 1997 e janeiro de 1999. No total são cerca de 200 rolos de filme 36 poses preto e branco, que revelei um por um. Sempre que eu tinha um tempo livre ia direto para alguma estação de trem buscar novas imagens. Foi um processo cansativo e demorado, mas que valeu a pena.

Na época eu tinha intenção de fazer uma exposição. Isso infelizmente não aconteceu pois dei prioridade ao trabalho comercial com fotografia publicitária.

Não me arrependo dessa escolha pois ela garantiu o reconhecimento que tenho hoje, clientes e trabalho, mas penso que chegou a hora de mostrar essas fotos de alguma forma.

Em minha conta no Flickr coloquei um álbum com uma pequena parte dessas fotos, é o que tenho digitalizado no momento, com o tempo vou escanear todo o material e atualizo aqui no blog.

Essas fotos fazem parte da história, muito do que é visto nelas sofreu alterações: algumas estações foram reformadas, outras abandonadas, entre outras tantas coisas que aconteceram nos mais de dez anos que separam essas fotos da atualidade.

Abaixo seguem mais algumas, espero que gostem.

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Armando Vernaglia Jr
Site - www.vernaglia.com.br
Blog - blog.vernaglia.com.br
Flickr - www.flickr.com/armandovernaglia/
Videos - www.vimeo.com/vernaglia/

Ferrovia 1998 - Perspectiva - FE025pq

Ferrovia 1998 - Entrada abstrata - FE050pq

Ferrovia 1998 - Poluição - FE057pq

Ferrovia 1998 - Penha - FE019pq

Do Fundo do Baú

No artigo anterior promovi a idéia de um dia sem lcd na vida fotográfica de cada um, sair para fotografar sem olhar o tempo todo no monitor da câmera, deixando para fazer isso em casa no computador.

Como ainda não fiz minha parte de fotografar o dia inteiro sem conferir no lcd, resolvi postar algumas fotos de um tempo onde este tipo de acessório não existia, um material que fiz entre 1997 e 1999.

Na verdade já existiam câmeras digitais e o lcd estava lá, mas eram os primórdios da tecnologia. A resolução de uma câmera profissional era de assombrosos dois megapixels e o lcd era uma droga. Tome como exemplo o review da Kodak/Canon DCS 520, feito pelo site Dpreview em 1999.

Mas voltando ao meu baú de fotos antigas, entre 1997 e 1999 acumulei uma longa série de negativos, em geral com filmes Ilford HP5 e Kodak Tri-X, que revelei usando o velho D76. Naquela época eu gostava de fazer experiências de laboratório, alterando concentrações de químico ou trabalhando com temperaturas não recomendadas. Buscava assim variações de contraste e granulação.

As fotos deste artigo são desse tempo e mostram parte dessas experiências, algumas estão granuladas e contrastadas, um resultado que eu gostava pois dava uma cara antiga às imagens. Essa aparência era obtida utilizando revelador com concentração 1:1 em temperatura acima da recomendada na bula do revelador. Se quisesse algo menos granulado era só diluir o revelador e trabalhar com ele mais frio. Hoje tudo isso está embutido no Photoshop.

Em termos de composição vejo nessas fotos muito do que desenvolvi ao longo do tempo, como as composições matemáticas, com linhas fortes, ângulos e pontos de fuga, assim como o uso de contra luz para acentuar contornos. Muito do que se vê hoje em minha fotografia já estava nessas imagens feitas há mais de dez anos.

Antes que digam que estou parecendo um vovô saudosista, devo afirmar que não troco minhas digitais e meu Photoshop por nada, a tecnologia veio para ajudar e o trabalho ficou mais rápido, prático e com altíssima qualidade de imagem digital. Apenas gosto de revirar o baú de vez em quando para ver o que fiz ao longo dos tempos e qual a história que estou escrevendo nesta arte que é a fotografia.

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Armando Vernaglia Jr
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FE053 - Rio Grande da Serra, Ilford HP5, Pentax MZM

FE023 - Estação Barra Funda, Ilford HP5, Pentax MZM

FE020 - Estação Brás, Ilford HP5, Pentax MZM

FE006 - Estação da Luz, Ilford HP5, Pentax MZM

Um Pouco de História

Vou aproveitar o espaço do blog para render homenagens a alguns de meus ídolos, gente que inovou, criou e fez mais diferença pela fotografia do que muitas multidões juntas clicando loucamente com suas digitais por aí.

Não vou falar de nomes conhecidos, se você quiser saber de Bresson, Doisneau, Halsman, Man Ray e outros, basta fazer uma simples busca pela internet e achará tudo o que já foi escrito sobre eles, são figuras freqüentes em blogs e sites de fotografia.

Irei selecionar alguns nomes pouco famosos, injustiças cometidas pela história que deixa desaparecer a memória de fotógrafos tão importantes.

Irei começar com o russo Sergey Mikhaylovich Prokudin-Gorsky (1863, Murom, Rússia-1944, Paris, França). Ele é o autor das imagens que ilustram este texto.

Submeti estas imagens a amigos e alunos sem dizer de quem eram ou quando haviam sido feitas, para que todos pudessem opinar sobre o que viam. Uns notaram defeitos técnicos, como falta de foco ou cortes estranhos no enquadramento das cenas. Houve quem apontasse a não utilização de regras de composição, assim como houve quem apontasse as imagens como meros registros de turista, aquelas fotos sem qualidade feitas por quem não entende do assunto.

Também tive opiniões de quem observou o caráter documental das imagens, que as distanciava de intenções artísticas e quem notasse na paleta de cores sutil um charme diferenciado.

Ao serem informados de que estas fotos foram feitas entre 1905 e 1915, quando a fotografia colorida mal existia além de experimentos semelhantes à alquimia, feita com equipamentos arcaicos, que exigiam a produção de três fotografias para uma imagem colorida final, utilizando-se de filtros vermelho, verde e azul para cada uma. E que naquele tempo tudo era revelado, montado e finalizado, sem photoshop, computador, digitais e vejam só, sem o mágico botão “delete”, as opiniões mudaram.

Todos ficaram maravilhados em perceber que um homem visionário, muito antes do seu tempo criou as possibilidades para registrar a realidade do Império Russo em cores, com seus personagens, arquiteturas e paisagens únicas, em um trabalho com mais de 3000 imagens ao todo.

Imaginem conseguir fotos em que os retratados ficassem parados enquanto ele trocava as chapas de filme e filtros coloridos para na soma de três fotografias em preto e branco, obter uma colorida. E ainda ter a maioria focada e composta com o cuidado devido para deixar para a posteridade um registro sem igual em seu tempo.

Assim deixo meu agradecimento a Sergey Mikhaylovich Prokudin-Gorsky, um dos desenvolvedores da fotografia em cores, sem o qual não veríamos o mundo com a mesma graça que vemos hoje.

Para saber mais (em inglês): Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

A última foto deste artigo é um auto-retrato de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii.

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 001

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 012

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 004

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 005

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 016

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